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Ivan Cesar.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Frutose: o doce vilão.
Para entender melhor os motivos de tanta cautela com esses alimentos, vamos conhecer um pouco a natureza dos carboidratos, ou hidratos de carbono, que constituem a maior parte da nossa dieta, fornecendo cerca de metade das calorias que ingerimos nas condições normais.
Eles são os nutrientes do trabalho muscular por excelência. Os principais carboidratos da nossa alimentação são os monossacarídios e os oligossacarídeos. Os monossacarídeos, ou açúcares simples, são moléculas simples, sendo os mais comuns a glicose (dextrose) e a frutose (levulose). Já os oligossacarídeos são açúcares compostos que, quando decompostos por uma reação química chamada hidrólise, fornecem de duas a dez unidades de monossacarídeos, incluindo-se nesse grupo os dissacarídeos (sacarose e lactose), os trissacarídeos, que não são relevantes nesta explicação, e também os polissacarídeos (amido e glicogênio), assim como as fibras celulose e hemicelulose, que não são digeridas por nossas enzimas digestivas.
Depois dessa breve parte teórica, vamos voltar ao nosso vilão. Estudos revelaram que os açúcares simples, os monossacarídeos, têm-se mostrado problemáticos para a saúde humana. O açúcar da cana-de-açúcar, tão popular no Brasil, cujo nome específico é sacarose, quando digerido, se transforma em glicose e frutose. Já está estabelecido que o excesso de glicose não é bom, mas o que alguns estudos estão demonstrando nos últimos anos é que o excesso de frutose é pior. A frutose é derivada do açúcar das frutas e do xarope de milho, que contém frutose concentrada. Entretanto, esse xarope com alta concentração de frutose e sabor muito doce, bastante utilizado pela indústria alimentícia, principalmente nos Estados Unidos, não é composto somente de frutose, mas de uma combinação quase em partes iguais de glicose e frutose. Após a absorção desses açúcares pelo intestino, a frutose é metabolizada no fígado primeiro que a glicose. A partir desse momento, quando ocorre excesso de frutose, desenvolve-se uma situação metabólica anormal chamada de resistência à insulina.
Agora, vamos entender o que é resistência à insulina. O termo é empregado para definir uma situação na qual a insulina que circula no sangue não exerce sua atividade plena após ser secretada pelo pâncreas em resposta ao aumento de carboidratos no sangue. A importância desse hormônio – insulina – não é só para o controle das taxas de glicose no sangue, mas também por inúmeras outras funções no fígado, tecido gorduroso, rins e mesmo nos vasos sanguíneos. Quando a pessoa tem resistência à insulina, seu pâncreas produz esse hormônio, mas em excesso. O problema é que após o estímulo gerado pela glicose, a ação dessa insulina não é a ideal. Para corrigir essa resistência, o organismo acaba secretando maiores quantidades de insulina que, em níveis mais altos, consegue cumprir suas funções.
No entanto, algumas vezes, esse mecanismo pode não ser eficiente, e há um aumento na concentração da insulina e da glicose no sangue, o que pode gerar um estado de pré-diabete ou até mesmo de diabete. Da mesma forma, as alterações resultantes desse processo são responsáveis pela síndrome metabólica, sendo muito frequente a associação com diabete tipo 2, obesidade, especialmente do tipo abdominal (visceral), hipertensão arterial, elevação dos triglicerídeos e com a redução do chamado “bom” colesterol, o HDL. Outras condições desfavoráveis são associadas a esse quadro, como a síndrome dos ovários policísticos .
A síndrome metabólica, conhecida anteriormente como síndrome X ou quarteto da morte, por associar quatro condições muito perigosas para a saúde – obesidade, hipertensão, diabete e aumento dos triglicerídeos – consiste num conjunto de alterações orgânicas resultantes de uma ação ineficiente do hormônio insulina, chamada resistência à insulina.
Estima-se que, nos Estados Unidos, a síndrome metabólica atinja cerca de 24% da população adulta. Acredita-se também que existam fatores genéticos de predisposição associados a uma mudança no estilo de vida marcada pelo sedentarismo e pelo excesso de ingestão calórica.
Como tudo tem uma razão de ser no corpo humano, nossas células têm receptores para vários hormônios. A insulina se liga ao seu receptor localizado na membrana da célula como uma chave à fechadura, ou seja, “abrindo a porta” para a passagem da glicose do sangue para dentro das células. Quando ocorre a resistência à insulina, o receptor passa a funcionar mal, dificultando a entrada da glicose do sangue na célula. Sendo assim, ela deixa o sangue mais lentamente e seu nível aumenta na corrente sanguínea.
A frutose mais concentrada no xarope de milho, nos sucos de fruta e no açúcar é capaz de gerar a mesma deficiência. De outra maneira, as frutas in natura, por trazerem a frutose combinada com fibras, minerais e vitaminas, não causam a mesma alteração, porque têm uma absorção intestinal mais lenta, assim como é mais lento o seu metabolismo no fígado. Portanto, nesse caso, a frutose não está em excesso e torna-se saudável.
Estudos mostram que a ingestão excessiva de frutose tem impacto no desenvolvimento da síndrome metabólica, porém o mecanismo de ação da frutose no processo não está completamente elucidado. A produção de radicais livres de oxigênio, conhecido por estresse oxidativo, e a resposta inflamatória são sugeridas como de particular importância.
Exemplificando: a frutose estimula diretamente o processo inflamatório endotelial e reduz o nível de óxido nítrico (proteção para os vasos) no mesmo endotélio (endotélio é a membrana que reveste os vasos sanguíneos e liga-se ao colesterol na formação das placas de aterosclerose, principalmente diante de um processo inflamatório).
Um outro estudo demonstrou que uma alimentação com excesso de frutose administrada em ratos provocou o aumento de marcadores inflamatórios importantes, como as citocinas, o fator tumoral de necrose e os radicais livres de oxigênio nos glóbulos brancos circulantes.
Também ficou claro que frutose colocada no estômago de roedores induz a adesão de glóbulos brancos ao endotélio vascular, dando início a um processo de aterosclerose. Outra conclusão importante foi que essa adesão pode ser revertida com a administração de uma substância antioxidante, no caso, o ácido alfalipoico.
Tudo isso sugere que a frutose deflagra diretamente a resposta inflamatória nos vasos estudados e que a resposta inflamatória é mediada pelo estresse oxidativo. É possível também que a ação pró-inflamatória da frutose seja resultado de outra via metabólica, como a ativação direta dos leucócitos pelo ácido úrico, que é um produto final do metabolismo da frutose. Apesar de a inflamação induzida pela frutose ser demonstrada em vários estudos, efeitos protetores da frutose sobre a inflamação também são reportados em situações especiais.
Além disso, tem-se associado a obesidade ao alto consumo de xarope de milho com elevado teor de frutose, um produto barato usado em inúmeros alimentos industrializados, como refrigerantes, doces e sopas. Entretanto não há nenhuma evidência direta de que o consumo moderado de frutose tenha algum efeito danoso sobre os níveis de açúcar e glicose ou sobre a resistência à insulina.
Em resumo, o consumo do açúcar em pequenas quantidades e de poucas frutas in natura diariamente não parece estar relacionado com doenças. Ao contrário. No entanto, seu uso abusivo em sucos de frutas e alimentos, que contenham em sua composição o xarope de milho com alta concentração de frutose, está diretamente associado ao aumento da incidência da síndrome metabólica e de suas principais consequências, a doença cardiovascular, o diabete e a obesidade.
http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/diabetes/frutose-%e2%80%93-o-doce-vilao-ii/
domingo, 12 de fevereiro de 2012
A Geração Saúde e a Folia de Carnaval
Um dia desses conversava com um senhor japonês que me dizia estar estarrecido com a capacidade de nós brasileiros irmos às festas dirigindo nossos próprios carros. Eles não. Conscientes de que querem beber e se divertir, eles deixam os carros em casa e vão de taxi, já que as multas por dirigir embriagado são elevadíssimas, e, que, os riscos de serem multados, e, de se envolverem em acidentes, não compensam. Pelo que tenho notado esta idéia já está chegando por aqui, mas a grande maioria ainda não pensa assim, o que é uma pena.
Estive pensando em nosso Carnaval e acho que, como em tudo na vida, deve prevalecer o bom senso. Não acredito que a libação alcoólica seja realmente divertida, e sim uma desorganizada prova de desreipeito, a si próprio e ao próximo. Se eu fosse brincar o Carnaval e quisesse me divertir, tendo quatro dias de liberdade e folia, aproveitaria a festa aos poucos. Desde a primeira noite me preocuparia em estar bem, o que para mim significaria estar descansado e lúcido para o que fosse acontecer, um desfile em um bloco de carnaval, numa escola de samba ou a ida a um baile noturno.
Acho que nestes dias de folia não devemos exagerar em comida e nem estar em jejum, como muitos fazem, acreditando serem super-homens. Um bom café da manhã e uma caminhada na praia com alongamento e refeições freqüentes nos preparam para os blocos vespertinos; um sono repousante à tarde, para as festas que terminam ao amanhecer. Durante o dia, refeições freqüentes, e, se for o caso, entre uma cerveja e outra, um tempo para que o fígado se recupere do excesso, já que o álcool é metabolizado pelo fígado num ritmo próprio, individual, que se ultrapassado nos leva ao seu excesso no sangue, podendo atingir níveis de embriaguez. Saber beber é fundamental, e quem não se conhece ou quem não sabe se controlar é melhor esquecer o assunto e ficar nos refrigerantes.
Comer alguma coisa sempre evita o terrível “porre” e o vexame com os amigos ou com a sua namorada. Seu fígado nunca vai agüentar tanto, vá devagar, beba light, coma e se divirta. Entre uma dose e outra dê um tempo, não seja um problema para os seus amigos, isto é, se ainda estiverem por perto.
Tudo bem, a primeira noite, o primeiro desfile ou o primeiro dia foi “liso”, sem dar bandeira, abrindo a porta de casa sem fazer muito barulho e sem acordar seus pais com um whoooaaa desnecessário. Muito bem, durma bem. Mas, um bom conselho, coma alguma coisa antes de dormir, talvez um copo de leite, uma fruta, ou até mesmo uma refeição mais substancial para estar bem para a praia de amanhã. Na praia, não esqueça, suco de frutas e água de côco, sempre serão bem vindos, mas uma cervejinha gelada mais tarde, só após a recuperação.
Roupas leves. Durma pelo menos o mínimo necessário. Respeite seu corpo. Sempre forre o estômago. Nunca beba em jejum, principalmente prolongado, a menos que tenha um amigo que se proponha a tocar a campainha de sua casa e deixar você encostado na porta (pode acreditar, depois de tocar a campainha, antes de seus pais abrirem a porta, é capaz dele sair correndo, deixando você cair quando a porta for aberta). E também não vai dar dessa de no dia seguinte, com aquela dor de cabeça, não se lembrar do que fez; isso é do tempo do programa “Viva o Gordo”, programa do Jô Soares na Globo. Lembre-se de que não há remédio realmente indicado e eficaz para ressaca, e sim medicações sintomáticas, como analgésicos para dor de cabeça, remédios para enjôo e para gastrite. Para o fígado mesmo, na prática, nada funciona.
Carro, se você costuma beber, só se sua namorada ou um amigo que não bebe for dirigindo. Use cinto de segurança sempre, principalmente se a esta altura do campeonato você não estiver mais se segurando. E, muito cuidado com os outros motoristas que podem ter se excedido.
É bom lembrar que dias seguidos de excesso alcoólico é causa de hepatite alcoólica, que pode ser grave a ponto de necessitar de internação hospitalar, sem falar da temível pancreatite alcoólica. Um conselho, brinque com saúde, mas brinque mesmo, careta, pois assim você pode participar com sua companhia sem encontrar confusão com interessados em tumultuar a festa. Se você não estiver acompanhado sempre poderá haver um encontro, às vezes mais íntimo; não se esqueça, previna-se.
Nos bailes de Carnaval não é raro ver casais que se amam e sempre se deram bem, discutindo sem motivo, por conta dos excessos. Drogas e álcool nunca são um bom caminho, geram depressão ou agressividade imediata em algumas pessoas mais susceptíveis, dependendo da predisposição de cada um. Alimente-se nesses dias o necessário para compensar a energia que anda gastando por aí, o que em geral não é pouco. Coma preferencialmente comidas frescas, sucos de frutas, e, verduras. Nada de comidas pesadas, gordura e de comidas de rua, de origem incerta. Beber muito líquido neste calor é essencial. O álcool desgasta o organismo levando à falta de líquidos, vitaminas e sais minerais; compense. Como no esporte, durante a atividade não há necessidade de excesso de proteínas e de gordura, e sim de energéticos, como massas, cereais, frutas e verduras frescas. Não coma demais, e sim frequentemente. Estar apto para aproveitar o dia seguinte é essencial ao folião. O Carnaval tem quatro noites e não termina em um dia. Lembre-se de que o som do batuque é extasiante e você deve estar lúcido e preparado para esta festa. Carnaval deve ser uma festa de alegria e saúde, nunca um desvario sem rumo para aqueles que sabem aproveitar a boa vida.
Então, aproveite muito bem este Carnaval! Que seja feliz.
Ivan Cesar O. Correia de Sousa é médico, Intensivista, Endocrinologista e Nutrólogo (artigo original publicado no Jornal “A Tribuna de Santos” em 24 de fevereiro de 1995).
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Distúrbio Compulsivo Alimentar
Aumenta em São Paulo o número de pessoas que procuram tratamento para obesidade mas já na consulta acabam revelando um outro problema de saúde: a compulsão alimentar. O médico Ivan Cesar Oliveira Correia de Sousa descreve os sintomas compulsão alimentar:
O paciente pode comer rapidamente ou comer até sentir-se cheio ou comer grandes quantidades de comida mesmo sem estar com fome ou comer sozinho por se sentir envergonhado, embaraçado pela quantidade de comida. E depois ele pode tb sentir repulsa de si mesmo, sentir depressão ou com muita culpa após esse episódio compulsivo .Se tiver pelo menos três desses comportamentos já pode classificar o paciente como compulsivo . A
frequencia desse episodio compulsivo vai , em média, de dois dias por semana e pelo menos 6 meses de evolução no histórico do paciente. É um disturbio mental .Esses pacientes não tomam laxantes nem forçam o vômito como na bulimia ou na anorexia nervosa. Os tratamentos são medicações que vão controlar o distúrbio do paciente e o descontrole dele Pode usar antidepressivos, anticompulsivos e até antiepléticos que podem ajudar bastante nesse caso.
Dr. Ivan César Oliveira Correa de Souza, do Hospital Sirio Libanês
http://www.lincx.com.br/servicos/audio.php?artigoId=11659
SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes
Informativo
Sociedade Brasileira de Diabetes
SBD e posicionamento sobre Liraglutide e Revista Veja
A revista VEJA publicou uma reportagem, sendo inclusive matéria de capa, sobre uma medicação: a liraglutide (nome comercial: Victoza). Nesta reportagem relatam: “PARECE MILAGRE! Um novo remédio faz emagrecer entre 7 a 12 quilos em apenas cinco meses.”
O liraglutide, é um fármaco sintético, e tem como ação primária aumentar as ações de hormônios intestinais como o GLP-1, que apresentam várias ações benéficas no organismo, principalmente no controle do metabolismo da glicemia agindo na biomodulação do glucagon e da insulina no pâncreas de pacientes diabéticos.
Esses dados foram comprovados em diversos estudos clínicos, o que permite colocá-lo como mais uma interessante arma no controle da glicemia nos portadores dessa doença. Portanto, até o momento, essa é a única indicação disponibilizada pelas diversas agencias reguladoras em todo mundo: o tratamento da hiperglicemia em portadores de diabetes tipo 2.
Além destes efeitos, estudos têm sinalizado para que esses fármacos também apresentem ações sacietógena central, redução na velocidade do esvaziamento gástrico e motilidade intestinal, levando, com isso, a perda de peso inicial nos diabéticos estudados.
Droga similar já existe a cerca de cinco anos, chamada Exenatide (nome comercial: Byetta). A liraglutida apresenta algumas diferenças para o exenatide, entre elas a vantagem de aplicação única diária, e uma perda de peso maior. Esta perda de peso é inferior ao que foi mostrado na reportagem.
O fator mais importante é que esta medicação foi lançada para tratamento de Diabetes tipo 2, associada à mudança de estilo de vida, e não para tratamento de obesidade. Quanto ao uso desse medicamento em obesos não diabéticos, os estudos são ainda escassos, se restringem a poucos pacientes, além de serem de curta duração. Estudos mais abrangentes encontram-se em curso, o que permitirá no futuro às agencias reguladoras e mesmo às Sociedade Médicas a possibilidade de avaliar de forma prudente e madura sobre a eventual indicação para o tratamento da obesidade.
O próprio laboratório responsável pela liraglutide no Brasil está enviando nota para as entidades e aos médicos deixando claro este posicionamento.
Este padrão de matéria cria vários problemas, como:
Estimula uma fantasia na cabeça do paciente que existe uma medicação milagrosa que faz emagrecer rápido, inclusive desestimulando adequados hábitos alimentares e de exercício físico.
O paciente procura o médico apenas para querer a prescrição, não valorizando inclusive doenças concomitantes associadas ao excesso de peso
A lei da oferta e procura lança o preço para valores exorbitantes. Em Belo Horizonte está em R$ 394.00 reais e o estoque esgotado, com previsões de reposição somente para daqui a uma semana.
Existem estudos para o uso da medicação em obesos, ou pelo menos IMC ≥ 27, mas ainda estão em andamento. Precisaremos no mínimo mais um ano para tomar conhecimento dos resultados, inclusive se haverão efeitos colaterais importantes.
Estamos vendo uma repetição do que foi feito no passado com outras drogas que ofereceram uma mágica, obtiveram uma imensa venda no início e com o tempo foram retiradas do mercado, ou praticamente não são mais prescritas.
Portanto, a Liraglutida não está indicada no momento para uso em obesos não diabéticos.
A Sociedade Brasileira de Diabetes condena propagandas como esta, com um alto grau de sensacionalismo, aproveitando populações portadoras de problemas de saúde que podem levar a baixa estima, e por serem ávidos de soluções, se transformam num público fácil de serem persuadidos.
Matérias como esta prestam um desserviço aos pacientes, e dificultam o trabalho de quem realmente deseja, baseado em ciência, prestar reais benefícios a quem necessita.
Dr. Saulo Cavalcanti e Diretoria SBD
Divulgamos o informativo da SBD como um serviço de informação ao público.
Dr. Ivan Cesar o Correia de Sousa.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Plasticidas - atenção.
No Brasil, Vigilância Sanitária estabelece limite para uso de substância já proibida em outros países
GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO
A Nestlé se comprometeu a abolir o uso da substância nos próximos três anos. Outros conglomerados -Heinz e General Mills- estão investindo em alternativas.
O bisfenol A, componente químico usado na confecção de alguns tipos de plástico e no revestimento interno de latas de comida e bebida, é contestado por organizações de consumidores e parte da comunidade científica, devido a riscos ao organismo.
Pesquisas têm associado o contato com a substância a probabilidades maiores de desenvolver doenças cardíacas, diabetes, puberdade precoce e queda da fertilidade em adultos.
No dia 28, foi publicado um estudo no periódico "Fertility and Sterility" que analisou 514 operários chineses por cinco anos. Aqueles com vestígios de BPA na urina apresentavam risco três vezes maior de produzir sêmen de pior qualidade.
PRECAUÇÃO
Canadá, Dinamarca, França e Costa Rica já vetaram o uso de bisfenol em mamadeiras e copos infantis.
No Brasil, a Anvisa estabelece o limite de 0,6 miligrama de BPA por quilo de embalagem alimentícia. Segundo a Vigilância Sanitária, "dentro desse parâmetro, a substância não oferece risco para a saúde da população".
Mas, para a tradutora Fabiana Dupont, 39, que criou um site para alertar sobre os riscos do bisfenol A, não há certeza sobre qual nível pode ser considerado seguro.
"A utilização de BPA em embalagens alimentares tem que ser banida até que os produtores provem que ele não faz mal à saúde", diz.
Segundo endocrinologistas, nenhum estudo em humanos foi conclusivo sobre o aspecto nocivo da substância, mas há indícios de que sua composição possa causar alterações hormonais.
"A conformação é similar à do estrógeno: é possível que seja recebido no corpo como se fosse o próprio hormônio e cause efeitos como puberdade precoce e redução da fertilidade", diz Elaine Costa, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
A Nestlé do Brasil informou que pretende seguir as diretrizes da sede e que já iniciou estudos "que visam eliminar integralmente, em até três anos, o bisfenol das embalagens dos produtos".
Já a Coca-Cola informou que as quantidades da substância usadas em seus produtos não oferecem risco à saúde, "conforme é consenso entre agências reguladoras da área de alimentos".
RÓTULOS
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) defende a proibição do uso e, antes disso, a adoção de avisos nos rótulos de todos os produtos que contenham bisfenol A.
"Não há norma que obrigue a isso, mas temos essa posição com base no direito à informação previsto no Código do Consumidor", diz a advogada Juliana Ferreira.
No Senado, tramita projeto de lei para banir o uso do BPA em produtos infantis.
domingo, 19 de setembro de 2010
Dividindo o pão
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.
Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo'.
O professor então disse: "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...
Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram o ano... para sua total surpresa.
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
"Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
domingo, 9 de maio de 2010
Poema em linha reta - Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Ouça na interpretação de Paulo Autran:
http://www.youtube.com/watch?v=3dRchZ-vRAI
quarta-feira, 31 de março de 2010
Seu Esporte Ponto Com
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A Dieta Anti-Câncer: Dr.David Servan-Schreiber.
Gostei de ter assistido a este vídeo. Apesar de ser um pouco dramático ele acaba sendo resumidamente educativo. Também acho que devemos estar sempre alerta em nossa alimentação para nos protegermos não apenas do câncer, mas de uma série de doençãs relacionadas à alimentação.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Luiz Fernandes Menezes - fotojornalista.

Ontem me deram a dica do blog do fotojormalista Luiz Fernando Menezes aqui de Santos, SP, e hoje tive a oportunidade de visitá-lo e fiquei impressionado com a qualidade de seu trabalho e com o seu talento. Percebi um modo de ver os contecimentos de uma forma nova, que chama a atenção. Belo trabalho, parabéns! Gostei muito desta dica: http://luizfotojornalismo.blogspot.com/quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Museu da Alimentação (Suiça)
Alimentarium - Food Museum. A Nestlé foundationThe Alimentarium offers a vivid discovery of the various aspects of our nutrition in a spectacular setting, on the shores of Lake Geneva. Fifteen years after its opening in 1985, the Alimentarium Food Museum underwent a complete transformation. Two years of alterations resulted in a renovated and partially converted building with a new permanent exhibition, inaugurated in June 2002.
visite: http://www.alimentarium.ch/en/home.html
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Nonstop Eating in Paris

domingo, 28 de junho de 2009
Vício Maldito (Danuza Leão)
É INACREDITÁVEL que a medida do governo de São Paulo proibindo o fumo em lugares fechados tenha sido contestada pela Justiça. Isso na contramão do mundo inteiro, que vem fazendo tudo que é possível para coibir o vício do fumo.O fumo é um veneno, e quem fuma vai um dia pagar caro por ter achado alguma graça em acender um canudinho de papel cheio de porcarias, inalar a fumaça direto para os pulmões e depois soprar de novo a fumacinha; no mínimo, ridículo. Nos anos 40, todos os filmes mostravam os atores e atrizes fumando, e isso fazia parte do glamour da época. Lembro da cena de um filme em que o ator punha dois cigarros na boca, acendia os dois e passava um deles para a atriz com quem contracenava. Quanta burrice; quanta ignorância. Eu também fui burra e ignorante durante anos, e apesar de ter sido alertada por tanta gente, só parei de fumar no tranco, isto é, quando meus pulmões pediram socorro. Fumar é um vício miserável, mais difícil de ser deixado do que qualquer droga pesada. Porque para comprar cigarros não é preciso subir o morro, procurar um traficante e ainda se arriscar a ser preso. Um maço de cigarros não custa quase nada, pode ser comprado na esquina, e fumar não é crime -ainda. Mas os fumantes já começam a ser olhados com maus olhos, e a verdade é que esse vicio é bem nojento. Está aí uma coisa de que me arrependo muito: ter sido fumante. Quando vou subir uma escada ou mesmo uma pequena ladeira, e tenho que parar para respirar, sinto muita vergonha. Como eu gostaria de ser lépida e ligeira como já fui; e sei que a culpa disso não tem outra origem a não ser o cigarro. É um suicídio lento, e o pior é que não costuma adiantar dizer aos jovens que não entrem nessa porque é uma roubada. Será que é preciso sentir os efeitos da droga para começar a tentar parar? Eu sei que não é fácil, mas não é possível que só a maturidade ensine coisas tão óbvias. Ouvi dizer que os cigarros estão custando mais caro; pois deviam custar mais caro ainda. Uns R$ 50 por maço seria um preço razoável. E eu queria saber o que passou na cabeça desse juiz -ou desses juízes- que decidiu ser ilegal a medida do governo de proibir o fumo em lugares públicos fechados. Se os fumantes são uns idiotas -tanto quanto eu fui-, não sei o que dizer dessa Justiça que foi contra a medida. A indústria é poderosa, mas está se ferrando no mundo todo; e tomara que se ferre mais ainda. Que vergonha eu tenho do tempo em que me achava moderna e rebelde e fazia a apologia do fumo. E que raiva eu tenho de mim mesma, quando quero andar mais rápido e não consigo, porque minha respiração falha. Como é que alguém pode fazer mal a si mesma? Por que, a troco de que, se os primeiros cigarros são tão desagradáveis e é preciso insistir para conseguir fumar, se achando o máximo, glamourosa e adulta? Quando passo pela porta de um shopping e vejo umas pessoas fumando, já que no interior do shopping é proibido, tenho que me conter para não parar, sacudir uma delas pelos ombros e dizer "não seja idiota, pare com isso antes que seja tarde", mas sou obrigada a me controlar, pois não pegaria nada bem fazer isso. Imagino que, se você me leu até agora, é porque não é fumante; se fosse, já teria passado para outra página do jornal. Mas imagino também que você seja pai ou mãe de um jovem fumante e que gostaria muito que seu filho ou filha deixasse o vício. E não sei mais o que dizer, pois falar não costuma adiantar. danuza.leao@uol.com.br.Parabéns Danusa Leão, gostei, copiei e colei da Folha de São Paulo, domingo 28/06/2009.
sábado, 23 de maio de 2009
A Dieta da Inteligência - Fantástico
http://www.youtube.com/watch?v=EPcp8UQGuEs
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Emagrecendo

http://drivancesar.blogspot.com/
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Porque hoje é Sábado - Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes
O dia da criação
Macho e fêmea os criou.Gênese, 1, 27
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado
III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação. De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado. Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão. Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra. Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia. Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula. Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
sábado, 9 de agosto de 2008
Sobre a morte e o morrer. Rubem Alves
Rubem Alves
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza.
Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...” Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.Mas a medicina não entende.
Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais? Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Alimentando nosso humor
Todos nós temos conexões pessoais para com os alimentos. Basta pensar naquela torta que sua mãe faz aos sábados ou no passeio à sorveteria com seu pai no domingo, que é natural que comece a salivar, e isto o faz sentir-se melhor. Comer certos alimentos pode levar a sensações positivas e a lembranças confortáveis, e os pesquisadores acreditam que há mais motivos para estas conexões do que nossa simples experiência prévia.
De acordo com as crescentes pesquisas certos alimentos afetam a química cerebral. Estudos provam que os carboidratos acalmam o cérebro enquanto as proteínas deixam-no mais alerta. A composição alimentar e a química cerebral são ambas bastante complexas e só parcialmente compreendidas, mas existem algumas regras básicas que podem ajudar você a manusear seu humor com os alimentos.
A serotonina é a molécula cerebral que melhora seu humor e faz com que você se sinta mais relaxado, calmo e menos preocupado. Pode, às vezes dar-lhe sonolência. Os níveis de serotonina flutuam durante o dia, reduzindo-se no período da tarde. Na mulher os níveis de serotonina são mais baixos na última semana do ciclo menstrual, bem como nos meses de inverno como se evidencia pelas pessoas que sofrem de depressão sazonal. Pessoas deprimidas bem como ex-tabagistas e alcoólatras apresentam níveis menores de serotonina.
Os carboidratos, principalmente aqueles que estimulam a insulina, aumentam a serotonina por iniciar uma reação química que coloca mais triptofano, um aminoácido, dentro do cérebro. Os doces fazem muito bem este papel, bem como os alimentos ricos em amido. Você não se sente bem relaxado após uma refeição à base de massas? Quando você está estressado vai direto aos doces, tortas, pipoca e chocolate. Esta é uma forma de se medicar com alimentos e de se sentir melhor.
Por que não são todos os carboidratos que nos fazem sentir bem? Uma maça não faz um mau dia se dissipar da sua memória com faz um pacote de batatas fritas. A fruta contém frutose que não eleva tanto a serotonina por que seu estímulo sobre a insulina é bem baixo. Também funcionam assim os vegetais que apesar de conter basicamente carboidratos, estes não tão concentrados e, por conter fibras sua digestão é lenta levando a uma elevação discreta da glicose com baixo estímulo sobre a secreção de insulina. Então só nos sobram os doces e os produtos que liberam amido fácil, como massas, pão e batata. Mesmo os bebês reagem à água com açúcar e ao leite materno, relaxando e dormindo.
Mas não seriam os doces e pães ruins para nossa saúde? Há um consenso que em pequenas quantidades na nossa dieta, estes produtos poderiam ajudar na melhora do humor. Pessoas alimentadas com batatas assadas sem manteiga ou pão com geléia em trinta minutos ficam calmas e relaxadas. Se nesta refeição de carboidratos incluir gordura, manteiga na batata ou batata frita, você terá de comer mais para sentir os mesmos efeitos, já que a gordura retarda a absorção do carboidrato, além de aumentar em demasia o valor calórico da refeição. Melhor alimentar-se sem a gordura.
Será que comer proteína deixaria você mais alerta? Os alimentos protéicos fornecem outro aminoácido chamado de tirosina, que aumenta a produção de dopamina e norepinefrina. A dopamina e a norepinefrina tornam as reações mais rápidas e melhoram a capacidade mental. Então, para conseguir terminar uma leitura durante a noite será melhor comer uma salada tipo Cesar Salad ou salada de atum ou frango do que comer uma lasanha.
Porém, estas regras básicas não são tão fáceis assim. Por que nós comemos de forma compulsiva gordura com açúcar, como chocolate e sorvete? As gorduras aumentam as endorfinas, que são substâncias parecidas com a morfina que liberam sinais de prazer a nosso corpo, da mesma forma que são liberadas com o exercício físico mais extenuante, como a corrida tipo jogging.
O chocolate nos dá um relaxamento físico e emocional não apenas pelo açúcar (serotonina), pela gordura (endorfinas), cafeína e teobromina, componentes do chocolate, mas também pela presença de outra substância química conhecida por feniletilamina, encontrada em vários alimentos, que também eleva quimicamente a endorfina. Não há necessidade de comer muito chocolate para obter este efeito, não exagere.
Então, esteja em equilíbrio com seu humor escolhendo o alimento certo para obter o efeito desejado. Este efeito é quase que imediato. Grandes quantidades destes alimentos fatalmente levarão a ganho de peso e ao sentimento de culpa.
Alimentos que acalmam: pães e biscoitos com geléia; bolachas doces; doces mais pesados; massa com molho de tomate; batatas assadas com salsicha.
Alimentos que beneficiarão o alerta mental: além do café, selecione alimentos com pouco amido; queijo cottage; atum, frango ou carne; ovos bem cozidos; frios de baixo teor de gordura como chester ou peito de peru. O excesso de carne (proteína) também pode deixá-lo mais irritado ou agressivo.
Alimentos que melhoram o humor: o melhor de todos - CHOCOLATE!
Cuidado, não exagere.
sábado, 19 de abril de 2008
Almoçando por aí (se der).
É sabido que verduras sortidas de diversas cores são muito importantes como protetoras contra deficiências de vitaminas, sais minerais e uma série de substâncias que tem ação preventiva, como o licopeno presente nos tomates que evitam o aumento da próstata em homens. Deve-se ter muito cuidado com o consumo de verduras cruas quando não se conhece a higiene do local, pois poderiam vir a ser fonte de contaminação alimentar; por isso recomendo que sejam consumidas cozidas, mas não muito. O feijão simples sem os pedaços de carne como bacon, carne seca, costelinha ou linguiças, acompanhado de arroz, de preferência integral pelo seu teor de fibras e de vitaminas, são excelente base alimentar. Não há como errar, alimenta por mais tempo e não faz mal à saúde. Carnes magras, cozidas ou assadas, tem menos calorias, o que é muito bom, pois, de modo geral, se está acima do peso. Quando não se tem tempo para almoçar imagina-se que também pouco tempo disponível se terá para uma atividade física regular. O frango sem pele é uma boa opção para as carnes, mas é uma pena que não dispomos de frango caipira ou orgânico para o nosso dia-a-dia. Agora sobre os peixes. Muitos não comem, mas é de suma importância seu consumo de duas a três porções semanais; os peixes são uma fonte de proteínas que não contém o colesterol que está presente nas carnes bovina ou suína, e, nas aves. Os peixes são fonte segura da boa gordura ômega-3 que nos protege contra os danos do colesterol, previnem contra o desenvolvimento de diabete, e, como é gordura fundamental na composição das membranas das células nervosas, as do cérebro, também tem ação protetora contra as doenças degenerativas como, por exemplo, o Mal de Alzheimer. Os óleos dos peixe, ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, truta e tainha, também tem ação antiinflamatória, e sua falta, na presença de consumo excessivo de óleos vegetais e de carne animal, leva a uma desproporção inconveniente entre a gordura ômega-6 e ômega-3, o que propicia ao dano celular e às inflamações de modo geral, sendo um fator nutricional negativo contribuindo assim para o desenvolvimento de diabete e das doenças vasculares. Se não puder comer peixes durante a semana não deixe de fazê-lo aos finais de semana. O alerta aqui vale pra as mulheres grávidas, já que alguns peixes, tanto de rio quanto de alto mar, podem estar contaminados por mercúrio, o que pode, dependendo da quantidade, ser muito prejudicial à saúde fetal. Nas possíveis sobremesas que se opte pelas frutas, saudáveis, fontes de fibras, vitaminas e bons minerais, completam assim a boa refeição. Nada contra as massas, um excelente alimento, porém, em excesso nos privam de boas fibras, e, o amido contido nelas é facilmente transformado em glicose, que em excesso aumenta a glicemia em diabéticos e engordam mais que a combinação tipo feijão com arroz, ervilhas, grãos de modo geral. As massas em geral são muito cozidas o que leva à rápida absorção do amido e em geral combinadas a ingredientes gordurosos, como o queijo e bacon. Além das comidas gordurosas, prejudiciais à saúde, também percebo um excesso de alimentos fritos nos restaurantes a quilo (nada contra desde que nossa escolha seja de bom senso) e percebo que até sem muita atenção se consome muito azeite; não o azeite extra virgem que seria o ideal por permanecer rico em vitaminas e boas gorduras, mas o azeite comum muitas vezes misturado à óleos vegetais, combinação que não vejo com bons olhos, totalmente desprovidas de vitaminas absolutamente necessárias, como as vitaminas A e D; aliás por esse e outros motivos estamos vivendo uma epidemia de falta de vitamina D. Lembre-se: evite os óleos vegetais e margarinas, se possível exija o azeite extra virgem, mas use com moderação pois são muito calóricos. Acho bom, por hoje, parar por aqui, pois assunto não falta.
Artigo publicado no Jornal da Ordem dos Advogados do Brasil - Subsecção de Santos - N° 32 - março/abril 2008.
quarta-feira, 26 de março de 2008
E agora, José?
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
terça-feira, 25 de março de 2008
Diets e Síndrome Metabólica
sábado, 22 de março de 2008
O Novo (para mim) Ovo de Páscoa de Alfarroba
sexta-feira, 21 de março de 2008
Chá Verde
Anos atrás costumava frequentar o mais famoso restaurante macrobiótico de Santos, SP, situado no centro da cidade na Rua Amador Bueno. Ia principalmente às quintas-feiras para saborear o magnífico Yakisoba de camarão preparado pela Dona Rosa, e, após as refeições era costumaz tomar o tradicional ban-chá, o chá verde japonês. Depois veio a moda do chá verde como antioxidante e protetor contra o câncer de pele. Até tenho um artigo em meu site (http://www.ivancesar.com.br/). Nunca levei a sério suas propriedades como emagrecedor, considerava que apenas pudesse incrementar o metabolismo como termogênico. Agora encontro um artigo importante sobre a ingestão de chá verde e a oxidação de gordura e a melhora da tolerância à glicose em humanos saudáveis. Estudo publicado pela Universidade de Birmingham do Reino Unido mostra que o consumo de chá verde está associado a várias propriedades que promovem a saúde. Por exemplo, o estudo mostrou que o chá verde promove a oxidação de gordura em humanos em repouso e previne a obesidade e melhora a sensibilidade à insulina em cobaias. O consumo do extrato de chá verde aumentou a oxidação de gorduras em 17% em comparação ao placebo utilizado no estudo levando ao aumento do gasto energético total e a melhor ação da insulina. Conclui o estudo que a ingestão de extrato de chá verde pode aumentar a oxidação de gordura durante o exercício de intensidade moderada e também tem a capacidade de melhorar a sensibilidade à insulina e a tolerância à glicose em adultos jovens. Resta agora sabermos qual a dose ideal de chá verde para cada um de nós. Diante disso que ajudaria a emagrecer, sim, sem dúvida, mas quais seriam seus riscos já que aumentando o metabolismo também aumenta a frequência cardíaca. Será que pode aumentar a pressão arterial em doses acima das usuais. Questões a serem respondidas. Alguém pode contribuir ? Seria benéfico também para diabéticos com resistência à insulina, provavelmente sim...


